Arco Voltaico – Códice (2009)

CD-R (Transfusão Noise Discos / Rapadura Discos)

O Arco Voltaico, do Rio de Janeiro, é basicamente o antigo Feed Me, que resolveu apertar o reset. Assim, esse disco é um debut, mas de um pessoal que já vem entrosado da antiga banda. Em seu primeiro álbum chamado  Códice, o Arco nos apresenta um rock ‘n’ roll garage/punk e surf music frenético. As guitarras comandam! Sim, são duas e cheias de ambiência, delay e tremolos! O vocal aparece desleixadamente em bases que não se demoram a espiralar vertiginosamente por cavernosas jam sessions. Base e solo são como um quantum: ora solo, ora base; ora energia, ora matéria, fenômeno musical subatômico descoberto pelo físico americano Jimi Hendrix.

Baixo e bateria vibram ao fundo e marcam monotonamente a trip psicótica das guitarras. Há momentos em que a própria percursão da pegada na guitarra é mais marcante que a bateria e chega ao ponto de encobri-la. Isso faz o seu corpo se mexer mais pelo ritmo das cordas do que das baquetas, como a dança de zumbis eletrocutados, sem muito controle dos próprios movimentos. Acho que é assim que tem que se dançar ao som do Arco Voltaico.

Ponto forte: timbres e riffs das guitarras, com distorções e efeitos muito bem incorporados, formando o clima e a tônica do disco.
Ponto fraco: gravação da cozinha, não tanto pelo baixo, mas pela bateria muito abafada. A guitarras em suas pausas (bem legais por sinal) e fade outs deixam a cozinha por conta própria em vários momentos, o que ressalta a má gravação da bateria. No entanto, você consegue sentir a sala onde a bateria foi gravada, o que contribui pra ambiência do disco.

Algumas faixas – Dissoluto: a melhor música do álbum. O Riff é sensacional, a pegada, o uso impecável de efeitos na guitarra, criando um clima que mistura atmosfera espacial com um toque do velho oeste de Sergio Leone e Ennio Morricone. Logo extinto: a voz e a melodia vocal lembram a grandiloquência mística do Raul Seixas. Et Cetera: a música mais extrema do disco, mas também a pior. É um punk rock n roll que se diferencia na interrupção relâmpago feita pela guitarra bem no meio da música com uma distorção loucassa.

No final das contas o Arco Voltaico conseguiu no seu primeiro disco, junto com os (e “não apesar dos”) pontos fracos da gravação, criar uma identidade e ambiência singulares que eu poderia simplorizar na seguinte equação comparativa:

Arco Voltaico = Superfuzz Big Muff + Los Saicos + Camisa de Vênus. Com margem de erro de 50% para cima e para baixo.

Códice já está disponível para download na internet e terá uma tiragem limitada de 100 cópias em CD-R.  Para mais informações e músicas: www.myspace.com/arcovoltaico7. Quem quiser o CD, pode entrar em contato com a Transfusão Noise Discos pelo e-mail transfusaonoiserecords@bol.com.br ou quem preferir fazer o download do álbum completo pode conseguir logo mais na no site do selo em www.transfusaonoiserecords.blogspot.com .

1 Comentário

  1. Com certeza dissoluto é a melhor faixa do cd. É um Riff espetacular, fiquei louco qndo ouvi no ensaio e no show. Acho de uma criatividade incrivel. As outras musicas não ficam para traz, mas essa é marcante! Ainda sinto um pouco de falta da sujeira doa ntgo Feed Me, mas com certeza esse cd é bom, e mostra a nova cara dos rapazes.
    Parabéns, sorte e RRRRRRock!!!!!


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